• Zé Roberto coleciona instantes e dá gás ao sonho do ouro em Tóquio
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  • Guilherme
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    • Novembro 16, 2019, 02:48:46
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Já é quase tarde, e o treino da manhã em Saquarema parece chegar ao fim. Uma a uma, as jogadoras vão deixando a quadra da seleção feminina no centro de treinamento da CBV. Menos Macris e Roberta. As duas levantadoras seguem junto à rede, ouvindo as instruções dadas à exaustão por José Roberto Guimarães. Quando dá fim à atividade, quase trinta minutos depois, o técnico parece se surpreender com o passar da hora.

- Já passou de meio-dia? Caramba, eu nem percebi.


Quando tomou a decisão de que diria adeus à seleção brasileira após os Jogos de Tóquio, Zé Roberto passou a colecionar uma série de últimas vezes. Um treino rotineiro, então, ganha ares de despedida, ainda que a despedida para valer seja apenas no que vem. O técnico, sempre tão detalhista, quer guardar na lembrança cada um de seus últimos passos à frente da equipe.

O Brasil estreia na Copa do Mundo neste sábado, às 5h, contra a Sérvia, uma das grandes favoritas ao título, em Hamamatsu. O SporTV2 transmite a partida ao vivo.

- Eu estou procurando viver os últimos dias com muita intensidade. Aproveitando cada momento, cada treino, cada viagem, cada campeonato, cada set, cada hino. Porque eu sei que vou sentir muita saudade disso.
- Isso, essa situação de representar meu país, foi uma parte muito forte da minha vida, da minha existência. Foi o que eu sempre sonhei quando garoto. Estou na contagem regressiva. Mas também acho que a minha missão vai se completar em Tóquio, espero que da melhor maneira possível. Que a gente consiga trazer uma nova medalha, lutar o que puder lutar. Foram coisas muito importantes que vivi aqui dentro. Aprendi muito, sofri muito, derrotas, vitórias. Mas acho que eu dei a minha vida e o que eu podia pela seleção. E vou continuar assim até o encerramento.

São 16 anos de história. Desde que chegou à seleção feminina, em 2003, Zé Roberto se consolidou como um dos técnicos mais vitoriosos do vôlei mundial. Ao ouro olímpico conquistado em Barcelona com os homens, em 1992, somou outros dois, em Pequim 2008 e Londres 2012. Também enfileirou conquistas de Grand Prix e Sul-Americanos, o mais recente conquistado no fim do mês passado. Faltou um Mundial e uma Copa do Mundo – esta última, Zé terá uma nova chance de conquistar a partir deste sábado, no Japão. Mas são essas derrotas lá de trás que impedem que o técnico se sinta completamente satisfeito com o que viveu na seleção até aqui.

- Na verdade, eu gostaria de ter ganhado mais. Ter tido mais sucessos. Mas os outros também treinam e querem ganhar. Eu me sinto (realizado), mas ainda fico frustrado por não ter vencido mais, por não ter representado melhor ainda meu país. Nos campeonatos que a gente ficou fora do pódio. Isso doeu muito. Ao mesmo tempo, ensinou muito. Se não houvesse essas derrotas, talvez não tivéssemos vencido o que vencemos. Essas derrotas marcaram, mas foram importantes para nortear nosso caminho. Eu trato algumas delas com um carinho muito grande, apesar de ter sofrido e chorado muito. Mas eu penso demais naqueles momentos, em como poderia ter sido diferente, o que eu poderia ter mudado. Os erros que eu cometi. E isso me norteia para o futuro.

Zé Roberto ainda não sabe o que vai fazer quando deixar a seleção. Deixa em aberto, inclusive, a chance de sequer continuar à frente do Barueri, projeto que agora conta com a parceria com o São Paulo, mas que ainda é custeado em boa parte com dinheiro do próprio bolso do treinador. “Eu tenho uma família que tem de sobreviver, tenho de sustentar. E eu tenho um limite”, explica. Mas a preocupação do técnico é mais imediata.

- O que me preocupa é o que vem pela frente. O que me preocupa é a responsabilidade que a gente tem nos Jogos Olímpicos, de ganhar uma medalha, de tentar representar da melhor maneira possível nosso país. E a gente sabe que tem muita coisa pela frente a ser construída. Será que vai chegar todo mundo bem, ninguém machucado? São “N” preocupações que nós tempos porque, para ganhar uma medalha, tudo tem de conspirar ao nosso favor. Todas as vezes que conseguimos ganhar, o universo conspirou ao nosso favor. Nada de difícil ou problemático aconteceu. Nada de jogadoras lesionadas ou contundidas ou problemas dentro do grupo. É importante que todo mundo chegue em forma e não se machuque. Estamos em um período bem complicado de lesões e isso me preocupa.

Mas, mesmo diante de tantas preocupações, ainda há espaço para contar mais uma história. Zé Roberto acredita que outras seleções se encontram em um estágio à frente do Brasil no momento. Mas também conta com a ajuda da sorte para somar mais uma medalha olímpica ao currículo antes de se despedir.

- Seria uma grande história. Mas sabemos das dificuldades, dos times que vamos enfrentar. Da fase que atravessa a Sérvia, a China, a Itália, os Estados Unidos. Mas eu acho que, se o universo conspirar ao nosso favor, e a gente não tiver nenhum tipo de problema físico, não tenho dúvida que a gente luta contra qualquer time do mundo. Temos voleibol para isso.

Confira a tabela do Brasil na Copa do Mundo:
Hamamatsu (Japão)
14.09 (SÁBADO) – Brasil x Sérvia, às 5h (Horário de Brasília)
15.09 (DOMINGO) – Brasil x Argentina, às 5h (Horário de Brasília)
16.09 (SEGUNDA-FEIRA) – Brasil x Holanda, às 5h (Horário de Brasília)
18.09 (QUARTA-FEIRA) – Brasil x Quênia, às 6h (Horário de Brasília)
19.09 (QUINTA-FEIRA) – Brasil x Estados Unidos, às 6h (Horário de Brasília)

Sapporo (Japão)

22.09 (DOMINGO) – Brasil x China, às 3h (Horário de Brasília)
23.09 (SEGUNDA-FEIRA) – Brasil x República Dominicana, às 0h30 (Horário de Brasília)
24.09 (TERÇA-FEIRA) – Brasil x Japão, às 7h20 (Horário de Brasília)

Osaka (Japão)
27.09 (SEXTA-FEIRA) – Brasil x Camarões, às 2h (Horário de Brasília)
27.09 (SEXTA-FEIRA) – Brasil x Coreia do Sul, às 23h (Horário de Brasília)
29.09 (DOMINGO) – Brasil x Rússia, às 2h (Horário de Brasília)

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